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A poesia acontece fora dos versos
E fora deles ela não tem ordem correta
Ela nem rima, nem se desencontra
Ela é mais que tercetos ou quartetos
A poesia nem palavras é
Não é gramática, idioma, sintaxe ou alfabeto
A poesia não cabe em nenhum poema
Ela não é algo que caiba
Não tem tamanho nem limite
Poesia não se calcula
Poesia não se deduz
Poesia não se teoriza
Poesia não se pratica
POESIA ACONTECE
Poesia não se abre nem se fecha
Ela vem sem tranca
Poesia não se escreve nem se apaga
Ela vem sem palavra
Poesia não se cria nem se copia
Ela vem sem guia
POESIA ACONTECE
Começa na gente
E não termina.
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Todo poema é desnecessário (?)
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Método?
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Não separemos Corpo e Alma
Eles precisam, Necessariamente, estarem juntos
Para que 'copulem' e gozem o 'orgasmo'
Que fará de nós seres capazes de filosofar com prazer.
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domingo, 22 de novembro de 2009
ALGUMAS VERDADES( discutíveis é claro!)
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FILOSOFIA: Ainda um mero 'gaguejar' da voz da Razão.
AMOR: Só é possível sem orgulho.
VIDA: Só temos essa, por isso aproveite!
ÉTICA ou MORAL: Regras que o ser humano aplica contra a sua própria natureza.
RELIGIÃO: Ficções poderosas e convincentes e nada mais que isso.
DEUS: O presonagem principal das ficções.
POLÍTICA: Tentativa do ser humano de conviver com o outro através do poder. (Desconfio que isso ainda não deu certo).
MORTE: A única certeza que existe; e me pergunto por que temos medo da única verdade que conhecemos?
VERDADE: A grande mentira que nós insistimos imaginar que encontraremos; no entanto procurá-la é um bom exercício mental e corporal.
ESPERANÇA: "ela é a útima que morre". Nem mesmo a esperança espera viver para sempre. Até ela há de desesperar, até ela.
PARADOXO: E o mais belo paradoxo é este: a única coisa perene é a perecebilidade de todas as coisas.
"... creio que não sou muito pior do que muita gente que canta alto na igreja". (William Faulkner / Santuário)
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009
À Ferreira Gullar
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Vou te emprestar um poema
Sei que não precisas,
Mas empresto mesmo assim.
Um poema ruim,
Pois todos os seus são bons
Um poema assim
Meio música em meio tom
O poema não tem instrumento,
Mas toca qualquer nota
O poema não tem voz
Mas é audível para quem olha
O poema de um cearense
Para um espírito maranhense
Ou melhor, para um corpo sanluisense.
Te empresto todos estes versos
E cada um tem juros e correções monetárias
Juros e correções que há muito já estão pagos,
Pois todo verso teu é uma fortuna que se herda
Um bem invendável, inegociável
A não ser que eu precise comer
Aí pego algumas bananas e pêras
Antes da “hecatombe no prato sob uma nuvem de mosquitos”
Sem “Barulhos” posso comê-las
E saciar essa fome versejante de meus dedos
Só nesse caso pegaria alguns versos seus,
Mas hoje; um hoje sem dia, sem semana, sem mês, sem ano, sem década,
sem século correspondente,
Hoje, nesse momento atemporal, esse momento que pode ser a qualquer momento,
Te empresto este poema.
E só não empresto meu cu porque cada um tem o seu. Essa, dizem, é a lei de deus. Alguns têm violado essa lei e sentam meio de lado; talvez essa seja a penitência divina, mas da Providência entendo pouca coisa, por isso continuemos. O poema virou prosa, mas mesmo assim te empresto ela. Minha prosa é emprestável; imprestável, mas emprestável. Lembre disso. Você não pediu, eu sei que não implorou por nenhuma destas palavras para empréstimo, mas esta é a forma que tenho de agradecer por seus poemas Sujos, -Murros, Galos, Nuvens, Peras, Avenida, Quartel, Roçzeiral, Poemas, João, Veloz, Fotografia; seus poemas finitos, mortais; seus versos tão bons quanto ‘bucetas’, ‘bananas’, ‘peras’, ‘tangerinas’ e ‘cus’. Seu “Poema Obsceno” que é um murro nos testículos de nossa pretensão de ser Brazil e não Brasil. Sua tradução intraduzível, irrepetível, inigualável. “Traduzir-se” daquele jeito só é possível uma vez e você conseguiu (e puta que pariu! Que inveja eu e todos os poetas vivos ou mortos, e ainda por vir, teremos daqueles versos vertiginosos). O poema definitivamente virou prosa, mas mantenho minha palavra: vou te emprestar; e para não terminar em prosa aqui vão os últimos versos:
A poesia não cabe em versos
A poesia não cabe em livros
A poesia é descabida
E só quem a faz caber é a vida.
À José Ribamar Ferreira Gullar, que está ‘Um Pouco Acima do Chão’ ‘Lutando Corporalmente’ com ‘Poemas’, ‘Por você, Por Mim’ ‘Dentro da Noite Veloz’ onde já enfrentou um ‘Poema Sujo’ e um ‘Crime na Flora’ até a ‘Vertigem do Dia’; ao ser-poeta que faz ;dos ‘Barulhos’; vários, variados e desvairados poemas. Obrigado.
D. Q. M.
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009
"etctriano"
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“etctriano”
Começo a ficar tenso quando estou na fila do cinema, dentro do teatro, na universidade ou dentro de algum centro cultural e ouço algum sujeito dizer “kafkiano”, “hegeliano”, “sartriano”, “newtoniano”, “machadiano”, “shakesperiano”, “etctriano”.
Sei que algo na maneira como são ditas não se encaixam muito bem numa conversa coloquial. Essas coisas são a saturação de um “discurso acadêmico”. Das duas uma, ou o sujeito que diz um dos termos “ianos” sabe do que está falando, ou só quer trepar com a ‘pessoa’ com quem conversa. Disse ‘pessoa’ porque um sujeito pode muito bem querer trepar com outro sujeito, e uma “sujeita” com uma “sujeita”. E não direi “é assim no Século XXI”, pois todos os séculos tiveram homossexualismo. Mas, voltando ao assunto, vamos analisar a primeira possibilidade.
Sim, muitos sujeitos que dizem “Nieztchiniano”(esse é clássico) “Kafkiano” ou “Bergsoniano” sabem do que estão falando, mas o que fazem estes termos numa fila de cinema, ou dentro do teatro, ou numa caminhada pelo parque? O que há de errado em notar que o mundo não nos deu seu manual de instruções? O que há de errado em perceber que não há ‘item 69 do capítulo 23’ em que diz que “temos o bem ou o mal como escolha”? Que “Freudiano” não encerra o caso do comportamento dos seres-humanos. Tenho quase certeza que, quando abrirem sua cabeça e examinarem seu cérebro um dia, não vão achar ali escrito “id”, “ego” ou “super-ego”. Tudo bem, sei que são teorias abstratas; mas não se espante se por algum acaso aparecer um psicanalista afirmando que essas coisas estão dentro da sua cabeça e que você deve compreendê-las.
Concordemos nisto: não há tal manual, e isso de sair por aí descarregando termos com “iano” no final, me deixa tenso. Primeiro porque não entendo metade deles, e segundo porque a outra metade que entendo está sendo usada equivocadamente por alguns sujeitos e sujeitas. Se você quer impressionar a outra pessoa para transar com ela, apenas seja franco e não transforme a conversa num monólogo intelectual. Deixe isso
para quando estiver no banheiro, num simpósio ou outros desses rituais acadêmicos.
Bem; no banheiro aconselho uma masturbação mais literal, mas se prefere a masturbação mental então sinta-se à vontade.
Era isso o que eu tinha pra dizer, e perdão se fui escancaradamente “Bukowskiano”.
_____________________________________D.Q.M.
