Hoje não foi possivel postar o que eu queria, internet lenta e eu sem paciência, uma combinação nada agradável. E enquanto essas palavras estavam sendo escritas recebo o aviso: não é possivel acessar o Blogger.com . Bem, acessei e consegui escrever essas palavras, estou me sentido melhor sabendo que é possível subverter o mundo virtual também.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Pegadas
.
Pegadas
... corre! Mas não deixa pegadas. Tem os pés leves, quase sem peso. Encontra obstáculos.
- E daí, quem vai me achar? Não deixo pegadas. Não piso em falso. Corro. Com fé na velocidade que sei que tenho.
Depois de muito correr: cansaço.
- É, correr cansa.
Acorda, sonha, corre. Não gruda os olhos. Mantêm as pálpebras abertas. A linha de chegada está longe. Reza. Roga para que os pés agüentem a estrada aí a frente.
- Vão agüentar. Adoro tato, pé no chão. Pedra no caminho.
Não tropeça. Ou tropeça pra saber como é, mas se o faz não esquece de levantar, não fica no chão e não deixa pegadas.
- Sei. Só estou te testando; vendo se você consegue escrever sobre mim sem me influenciar.
Então você sabe que escrevo um conto sobre sua corrida?
- Desde o começo.
Então cuidado, mais na frente do conto vou colocar um vale pra lhe barrar o caminho, um riacho não tão profundo pra você atravessar.
- Pare!
O que foi?
- Não me conte meu destino, deixa que eu mesmo o traço.
Mas quem escreve sou eu, meu traço é seu passo; você é o personagem.
- Sou? Então porque não parei de correr ainda?
... muito bem, por mais que este conto acabe meu caro personagem corredor, não posso colocar um ponto final em suas atitudes de moldar seu próprio destino, por isso não vejo suas pegadas desde o começo, deve ter aprendido a fugir do escritor, da história. Vá! Corra e faça suas histórias, mas lembre-se de voltar para que eu as escreva.
- Não se preocupe escritor que me criou, sempre retornarei à ponta de sua caneta. Correndo sobre as linhas, pulando páginas, voando sobre capítulos, nadando nos versos, bebendo as letras, conversando em sua prosa, sentindo sua criatividade me recriar, mas não me siga. Não vou deixar pegadas...
.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Pseudônimo - 1º escrito.
.
Meu heterônimo chama-se Pseudônimo. Ele costuma escrever sem nem mesmo saber o que significa a letra ‘a’, mas o que significa a letra ‘a’ mesmo? Ele se pergunta tanto sobre isso que não conseguiu compreender o alfabeto todo, parou na letra ‘a’ faz uns 16 anos. Disseram que a letra ‘b’ é mais bonita, uma letra grávida, no início ele não entendeu; pois 'como uma letra pode engravidar?', mas ele pensou nessa pergunta e conseguiu responder em dois segundos: a letra engravida para gerar palavras. Ele escreve tudo em sua mente; se seus leitores tivessem a capacidade de ler um livro-mental eles não parariam nunca mais de ler Pseudônimo. Um dia ele escreveu palavras esparsas numa folha e hoje ele revela para o mundo:
sábado, 31 de janeiro de 2009
VIDA - Doença Terminal.
Estou com uma doença terminal; e ela se chama vida.
Diagnosticada desde que nasci, uma rara doença que o mundo ainda não conseguiu curar. Durante muito tempo perguntam as causas de tamanha patologia. É uma doença quase imperceptível, mesmo com os milhares de exames disponíveis na medicina contemporânea; e ela não age da mesma forma em todo mundo, a doença é particular e peculiar, pois cada um tem os sintomas diferenciados, alguns não sentem dor por causa dela, outros não suportam piscar os olhos sem que a sintam tanto. O tempo de ação dela é indeterminado, em alguns ela age em dias, em outros casos levam cento e vinte e cinco anos para agir (ou ela passa esse tempo todo agindo). Ela é chamada no meio científico de ‘existência’, mas antes ela foi assim denominada pela Filosofia.
[O Existencialismo, desenvolvido por Jean-Paul Sartre foi a vertente da filosofia que mais estudou e compreendeu essa doença terminal, a colocou como precedente a essência: “A existência precede e governa a essência”. Essa definição funda a liberdade e a responsabilidade do homem, visto que esse existe sem que seu ser seja pré-definido].
Digo que a tenho, pois fiz o mais seguro exame para detectá-la: amei. Sim, amar é a mais segura forma de perceber que a vida é terminal e devastadora como doença, pois com o amor se quer tudo eterno; e descobrir que tudo não é eterno torna-se uma prova de que a vida nos acaba, nos torna tão doentes como nunca se esteve. Durante muito tempo procuram a cura, vide às prateleiras das livrarias na sessão de auto-ajuda, mas já foram descobertos e deflagrados como simples ‘placebos’ inúteis.
Conseguiram sintetizar uma pílula que contem felicidade como seu componente químico mais importante, até agora conseguiram apenas criar a L.F.G. (Leve Felicidade Gentil); pouco comercializada por causa de seus efeitos colaterais: dependência química e dependência dos outros, pois um de seus agentes químicos nos faz crer que podemos ser felizes ao lado de alguém. A felicidade é questionada hoje no meu tratamento, pois o F.I.M. (Fórum Internacional de Medicina) a proibiu de ser colocada na fórmula da L.F.G., mas tomo a L.F.G. clandestinamente ainda com esse componente químico proibido. Eticamente toda essa ação é condenável, mas não quero ‘terminar’ antes. Se vocês me entendem tenho apenas vinte e seis anos, um bom tempo pela frente; e a L.F.G. me torna mais amável, mais sociável, pois muitas pessoas querem todos interagindo com todos e não interagir significa que você está excluído daquilo que chamamos sociedade (o mesmo que ‘estado de quarentena’ em termos científicos).
Apesar de os efeitos da L.F.G. ainda atuarem em mim percebo que depois de um determinado tempo o corpo não se rende mais aos efeitos químicos nem aos efeitos psicofísicos, pois hoje sinto que a vida já não me atinge como antes, ela não me esgota e nem me deixa fatigado no fim do dia. Nesse momento descobri o que os cientistas estão a dez anos de descobrir (como eles estão atrasados). Descobri que a vida é uma doença que pode curar a si mesma. A única e grande dificuldade seria a de descobrirmos isso a tempo, antes que a doença terminal chamada vida nos leve ao encontro da única cura que se conheceu e ninguém e nem médico algum recomendou: a morte.
Portanto, prefiro compreender muito mais minha descoberta antes de declará-la como cura, pois pode ser apenas mais uma variação da L.F.G. (Leve Felicidade Gentil).
‘A VIDA CURA A SI MESMA’, esse é o pensamento inicial para minha quimioterapia filosófica.
A minha ‘quimiofilosofia’, um procedimento experimental que criei enquanto a insônia (um dos sintomas dessa doença terminal) me afligia.
Boa sorte a todos nós, apesar de saber que a sorte de um pessimista (eu no caso) é a de que nada aconteça daquilo que ele achou que aconteceria.
.

