Eu jogo o Jogo da Amarelina de Cortázar.
Eu padeço nos Paraísos Artificiais de Baudelaire.
Eu me excito com as Coxas de Roberto Piva.
Eu interpreto no Tearo do Bem e do Mal de Eduardo Galeano.
Eu choro A Morte de Ivan Ilitch de Tolstói.
Eu respondo o Livro das Perguntas de Neruda.
Eu navego na Jangada de Pedra de Saramago.
Eu dou risadas estrondosas da Divina Comédia de Dante.
Eu retribuo todas as Mensagens de Pessoa.
Eu tenho medo das Almas Mortas de Gógol.
Eu não condenaria Moll FLanders de Defoe.
Eu alegro a Memória de Minhas Putas Tristes de Márquez,
E não quero nunca ter Cem Anos de Solidão.
Eu plantei, no meu quintal, Palmeiras Selvagens de Faulkner.
Eu, ingenuamente, acreditei nas Mentiras que o Homens Contam de Veríssimo.
Eu pedi emprestada a máquina usada nos Ensaios Fotográficos de Manoel de Barros.
Eu xavequei a Lolita de Nabokov.
Eu dei estadia confortável para O EStrangeiro de Camus.
Eu não disperdiço o Sangue dos Outros de Simone de Beauvoir.
Eu, quando escrevo e trepo, não desisto das Ereções, Ejaculações e Exibicionismos de Bukowski.
Eu quero que, comigo, você Ame e dê Vexame de Roberto Freire.
Eu, muitas vezes, tenho as mesmas Tremulações Carnais de Donatien Auch.
Eu caio nos Estratagemas do Amor de Sade.
E escrevi este poema quando passei Uma Noite na Taverna de Álvares de Azevedo.
.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Auto-retrato
terça-feira, 6 de julho de 2010
Quando a morte não é tão triste...
Quinta, dia primeiro, eu vi um gavião no quintal da casa de um amigo, ele estava ali parado e meu amigo me chamou:
- Davi! Vem cá ver uma coisa!
Quando cheguei no quintal lá estava ele.
Girava a cabeça para os lados.
Estava caçando? Estava descansando? Estava compondo um poema?
Não sei o que Roberto Piva fazia ali no muro,
não sei se aquilo era mais um estranho sinal de Saturno,
Mas com certeza ele não ficou nunca em cima do muro em sua vida poética, política, amorosa, etc.
Por isso, depois de nos deixar ver um pouco de sua forma xamânica de gavião,
ele voou para além de nossa compreensão...
À Roberto Piva (1937-2010)
.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Fragmentos de alguma coisa
.
Eu sou a solidão de um vírus em quarentena
Eu sou o câncer sendo atacado por toda a química do planeta
Eu sou a dor que brota nas raízes dos contratos
Os cientistas não percebem, ou não ligam, que o primeiro clone será um órfão
Triste chuva essa que cai em nosso século
O concreto está em extinção
Minha vida é um desfile de moda sem roupas
A Lua está nua e nos ilumina com sua vagina incandescente
Eu estou na linha de frente do exército da luxúria
Minha mão não sossega nem nas missas, nem nas assembléias
A Academia atrofia os músculos de nossa ousadia
Eu cuspo pra cima a saliva das absolutas teorias
Eu sou a medula não-compatível com a leucemia dos chefes de Estado
Eu sou um sentimento que a puta e o michê não querem vender
A Rua dos Prazeres não cruza com a Rua da Renúncia
Meu mapa do amor foi desenhado por uma criança que se chamava Bataille
O contrário de pomba da paz é vagina da guerra
As mulheres poderiam se apossar dos bancos de esperma e depois exterminar os homens da face da terra,
Depois poderiam permitir o nascimento só de mulheres
Eu sou a utopia abortada do ‘Poeta Sórdido’ de Bandeira
Meu cú disse não ao pênis da censura e do sistema
Ninguém fode com minha poesia
E ai daquele que assediá-la
Bataille é meu escudo
Piva é minha lança
Que venha a vitória
Que venha a derrota
Estou pronto para a Guerra.
.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
"natura nihil facit frustra" ( a natureza nada faz de inútil)
.
Se a Natureza aproveita todo átomo das pessoas que morreram
Então posso imaginar que em pelo menos um nanomilímetro de meu corpo há átomo poético de Walt Whitman;
E com esta pequena porção de beleza
Talvez eu possa alimentar a fome de meus delírios.
.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Ave Copa do Mundo
.
O Brasil é esta bola
Que os políticos chutam
E a corrupção é o gol de placa.
(Em 2014 tem mais)
.