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Há um riso nesta poesia
Há uma boca, e lábios, para tal
Há um corpo nestes versos
Há uma inspiração nesta linha
Uma expiração nesta outra
Esta poesia respira
Esta poesia fala
Sua voz é concreta
E diz não sei quantas frases
Esta poesia tem olhos
Enxergando seu leitor
(A poesia te vê)
A poesia tem estas mãos
Que te abraçam
Que te seguram
A poesia tem este corpo
Que te deseja
E te aproxima
A poesia tem estas pernas
Que caminham nos teus olhos
E correm nos meus dedos
Há, nesta poesia, uma carícia
Que só ‘outra poesia’ pode sentir
E você é essa “outra poesia”
Há, nesta poesia, um olfato
Que sabe o cheiro de versos raros
“Cheiro de versos raros” = baunilha
Esta poesia tem pés
Que chutam ‘gramatismos’
E pisam formalismos
Esta, e toda poesia tem um coração
O difícil é perceber
Quais são seus ritmos cardíacos
Esta, e toda poesia tem utilidade
não acredite nos poeticídas.
Poesia É com você, É por você, É de você, É pra você!
E apesar de poder morrer,
A Poesia ainda vive
E faz viver.
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Poesia É pra você.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Caça
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Como um gato de rua que ronda,
Caçando o vazio dos bairros
Procurando a fera adormecida
Adentro covis perigosos,
Mas saio ileso, com a pele intacta.
Estou vagando por noites sem lua
À procura do uivo profundo.
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Essas pessoas passam...
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Existem pessoas que são pedra
Duras, pesadas, sem graça.
A pedra precisa de um terremoto pra se mexer
A pedra só quebra à base da força
A pedra dura,
Essas pessoas passam.
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
A BACANTE ou O LADO FEMININO-DIONISÍACO DE NIETZSCHE
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Ela engolia a agonia
A bacante,
Devorava o pênis da Moral
O rígido e pulsante membro da cristandade
Ela lambia a Primeira Filosofia
E dissolvia com sua ácida saliva
Os pilares da Metafísica,
A bacante trucida Platão
E Nietzsche grita: VIVA!
Ela rasga a carne dormente
Fazendo-a sentir novamente,
Ela oferece os seios suculentos
E bocas bacantes os devoram com voluptuoso deslumbramento,
A bacante introduz seus dedos na vagina das Religiões
E faz com que todos os deuses gozem,
Ela dilacera a fé
Tem orgasmos ao beber o doce sangue que escorre das chagas de Cristo,
Ela sodomiza o demônio Lúcifer
E cospe em suas asas negras,
A bacante seduz os Governos da Terra
E arranca os testículos dos governantes machos.
Com as fêmeas ela delira
E as faz delirar.
A bacante junta tudo no caldeirão da Hybris
Ela une cores, corpos, coisas, gozo.
Ela une forças, desejos, sabedorias, sonhos.
Ela une vida, morte, poesia, filosofia.
Ela ri do deus Apolo e de sua ingenuidade
Ela chora com o deus Dioniso e louva sua loucura sentimental
Ela estraçalha os livros sagrados
E limpa o sangue que escorre de sua verdade
Ela vomita vinho,
O doce líquido que vem de seu coração embriagado.
Ela lança no ar feromônios de frenesi
Ela arrebenta mentalidades ortodoxas
Ela almoça a Lei
E janta o Dogma,
Mastiga estas duas coisas
Dando dentadas destruidoras
Reduzindo a pó Legislações
A bacante não pára
Ela segue sempre
Sempre segue
Sangra sempre
Sempre sangra
Serve sempre
Sempre serve
A bacante canta
A bacante dança
E o ser-humano é a música que ela nunca cansará de apreciar.
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Todo poema é desnecessário (?)
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A poesia acontece fora dos versos
E fora deles ela não tem ordem correta
Ela nem rima, nem se desencontra
Ela é mais que tercetos ou quartetos
A poesia nem palavras é
Não é gramática, idioma, sintaxe ou alfabeto
A poesia não cabe em nenhum poema
Ela não é algo que caiba
Não tem tamanho nem limite
Poesia não se calcula
Poesia não se deduz
Poesia não se teoriza
Poesia não se pratica
POESIA ACONTECE
Poesia não se abre nem se fecha
Ela vem sem tranca
Poesia não se escreve nem se apaga
Ela vem sem palavra
Poesia não se cria nem se copia
Ela vem sem guia
POESIA ACONTECE
Começa na gente
E não termina.
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